27 de mai. de 2010

.Mães de Maio.


Pobres mães de maio.
Protestam, pedem seus filhos de volta.
Mas eles nunca voltarão.
Não cansam de pisar nas pedras da praça,
Ainda manchadas de sangue jovem.
Guardam com carinho e mostram ao mundo
os retratos dos filhos desaparecidos
que esperam reencontrar.
Pobres mães da Praça de Maio.
De seus filhos só há corpos mutilados no fundo do mar
ou em cemitérios clandestinos.
Mártires de uma nação,
Mártires do povo oprimido latino-americano.
Os filhos morreram pela ação da força bruta,
Contra suas ilusões juvenis os velhos usaram tiros reais.
As mães morrem pouco a pouco na desesperança e no desgosto
da ausência de seus bebês,
Lenços brancos, olhares tristes fixos no infinito
Bendito é o fruto dos vossos ventres.
Nunca mais. Nunca mais Argentina.
Nunca mais América latina.

[1987]

.(EDP)