24 de fev. de 2017

.A Vontade do Eterno.

Vemos doutrinas sobre a vontade de Deus apregoando que Ele controla tudo o tempo todo, que o destino de tudo está submetido ao Seu alvitre constante e determinado. Uma grande mão manipulando cordões no imenso teatro de marionetes que é o mundo.
Essa é uma explicação para tudo. Daí, haja ginástica na exegese bíblica para justificar, por exemplo, que “Deus não influencia ninguém a nada, mas decretou que tal coisa acontecerá...”

Parece mais um apressado contra-argumento à hipótese de que Deus nos abençoa com discernimento, mas o mundo é responsável por suas próprias decisões. (Deus dá discernimento aos que a Ele pedem e se submetem, mas a maioria tem outras motivações e objetos de fidelidades).

Será que o castelo da fé desaba se pensarmos que a história humana é conduzida por nós mesmos, mas Ele pode abençoar pessoas e situações específicas ? Que Ele até pode nos deixar sujeito às nossas próprias vontades, mas não deixará nunca a destruição e a morte vencerem no final?

Será que o castelo desaba se entendermos que somos seres livres e o maior exercício dessa liberdade é nos submetermos ao Eterno para construirmos “a quatro mãos” nossa vida e transformar o mundo?

Será que a vontade de Deus não é um assunto particular e íntimo entre o Pai e seus filhos? E que a conversa deles pode dar-se por sinais, pensamentos, sonhos, alguém que telefona, uma frase solta que vem à memória, um texto bíblico, uma mensagem ? A vontade de Deus cabe em planilhas bíblicas generalistas e... “técnicas” ?

Será que a vontade de Deus é algo que se pode “racionalizar” em termos forjados por nossa limitada visão religiosa? Aliás, conceber que Deus é melhor entendido pela via dos “termos técnicos” é algo razoável? Não é dos humildes e simples de coração a melhor compreensão do Divino?

Celebremos o Mistério, porque Deus se revela ao coração de cada um conforme Ele quer.

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