Basta um tempo de vacas magras para que o velho e bom Malaquias dê as caras nas igrejas mais tradicionais. Não que ele não fosse reverenciado nestas, mas, de comum, sempre foi aquela referência meio vaga, meio envergonhada... Ao contrário das neopentecostais em que o velho "Mala" só falta mesmo ter uma estátua na porta.
Mas a crise veio e os dízimos e ofertas diminuíram. Como manter a super-estrutura de pessoal e edificações e atividades, estabelecidas "não por luxo ou exagero, mas para a Glória de Deus"?
Expressões como " sustento da Casa de Deus", "roubando de Deus", "gafanhoto" e a sempre bem-vinda separação entre dízimos e ofertas voltaram. Dá-lhe Malaquias.
A Igreja-clube é gigantesca e precisa de meios. Ela tem estrutura empresarial hierarquizada. Ela tem dezenas de pastores, fora os ministros profissionais, estagiários e pessoal administrativo e de manutenção. Então, premido pela necessidade, não custa lembrar daquela interpretação de que o dízimo é sim mandamento neotestamentário. O preço de não dizer isso seria muito caro. Talvez a instituição se obrigasse a diminuir, e a grandeza é um dogma.
Pelo menos por enquanto, estão convidadas a participar das pregações as referências leves aos que "roubam" de Deus e a interpretação de que o prédio da igreja local é a legítima "Casa de Deus", que não pode restar "caindo aos pedaços".
Esqueça-se, de momento, que o Senhor não habita em templos e que a Igreja são as pessoas.

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