Já previa que o jogo não seria lá essas coisas, mas eu
queria conhecer o chamado “eco estádio”, principalmente pela proximidade entre a torcida e os jogadores (novidade para quem está acostumado a ver pontos coloridos correndo num tapete verde) e pela localização ao lado do Parque Barigui. Por conta desse clima meio de "várzea-chic", a experiência é boa. Ouve-se a gritaria e os barulhos da disputa. É literalmente um jogo “ao
vivo”. Pude até presenciar uma discussão entre um
jogador profissional, de dentro do campo, e um torcedor na arquibancada...
A partida estava meio sem graça e alguns daqueles piás bonézudos
da torcida organizada do Coritiba entediaram-se e resolveram colar no alambrado
para gritar desaforos aos jogadores do “Corinthians Paranaense”.
Os xingamentos eram basicamente no mesmo sentido: eles
(jogadores do Corinthians Paranaense) deveriam sentir vergonha por jogar num
time inexpressivo e ainda por cima com nome de time grande. Foram intermináveis
minutos tentando humilhar os atletas, caçoando de sua condição profissional, em
especial dos veteranos, dizendo que eles fracassaram na carreira e terminavam
no Corinthians genérico…
Senti vergonha por eles. Não pelos jogadores, mas pelos
torcedores recalcados.
Domingo passado, no jogo contra o Cianorte, as coisas mais
ou menos se repetiram. Dessa vez, fiquei com certa pena dos piás do time do
interior. Mas, pensando melhor, os mais dignos de compaixão eram os que
xingavam. Vejamos só: “ Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” Eu
sonhei. Tu sonhaste, ele sonhou, nós sonhamos, vós sonhastes e eles sonharam.
Não seria exagero dizer que, no Brasil, todos os homens que hoje são fãs de
futebol, um dia quiseram ser profissionais da bola. Pois é, aqueles caras
vestindo camisas de times pequenos conseguiram.
Seja em Irati, Cianorte, Prudentópolis, Toledo ou Arapongas,
esses moleques com nomes estranhos sabem o que é entrar em campo ouvindo um
grande aplauso ou uma grande vaia. Eles sentem o calor da disputa...
Eles passam tardes treinando futebol !
Eles passam tardes treinando futebol !
Alguns deles, os mais jovens, podem concretamente sonhar com
o dia em que serão convocados para a seleção brasileira, ou que serão
contratados pelo Barcelona, Bayern ou Real Madri...
Eles conseguiram o que muitos sonham, apesar de todas as
suas limitações e dificuldades. Podem estar desempregados daqui a um mês, mas
já são vitoriosos.
Quantos deles deixaram uma vida marcada pelo sub-emprego e pela
miséria em nome do sonho?
Quantos não contavam com “pistolão” nenhum e ganharam “na raça” o direito de jogar? Quantos sobreviveram às miseráveis condições das categorias de base desse brasilzão? Quantos foram iludidos por “empresários”? Quantos suportaram longos períodos longe da família, até passando necessidades básicas? Quantas “peneiras” tiveram que enfrentar até conseguir uma chance? Mas eles conseguiram e merecem nosso respeito e consideração.
Quantos não contavam com “pistolão” nenhum e ganharam “na raça” o direito de jogar? Quantos sobreviveram às miseráveis condições das categorias de base desse brasilzão? Quantos foram iludidos por “empresários”? Quantos suportaram longos períodos longe da família, até passando necessidades básicas? Quantas “peneiras” tiveram que enfrentar até conseguir uma chance? Mas eles conseguiram e merecem nosso respeito e consideração.
Que pelo menos o menino apaixonado por futebol, que ainda
mora dentro de nós, olhe para eles com admiração.
Parabéns rapaziada. Boa sorte!