13 de fev. de 2014

.Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?.

Corria o “emocionante” Campeonato Paranaense de 2012, eu e meu filho pequeno fomos dos poucos torcedores do Coxa que assistiram à partida contra o então “Corinthians Paranaense” no  estádio “Janguito Malucelli”. Era uma tarde abafada de verão e, na torcida do Coritiba, estavam uns 50 gatos pingados, dos quais uns 40 eram da torcida organizada.
Já previa que o jogo não seria lá essas coisas, mas eu queria conhecer o chamado “eco estádio”, principalmente pela proximidade entre a torcida e os jogadores (novidade para quem está acostumado a ver pontos coloridos correndo num tapete verde) e pela localização ao lado do Parque Barigui. Por conta desse clima meio de "várzea-chic", a experiência é boa. Ouve-se a gritaria e os barulhos da disputa. É literalmente um jogo  “ao vivo”. Pude até presenciar uma discussão entre um jogador profissional, de dentro do campo, e um torcedor na arquibancada...
A partida estava meio sem graça e alguns daqueles piás bonézudos da torcida organizada do Coritiba entediaram-se  e resolveram colar no alambrado para gritar desaforos aos jogadores do “Corinthians Paranaense”.

Os xingamentos eram basicamente no mesmo sentido: eles (jogadores do Corinthians Paranaense) deveriam sentir vergonha por jogar num time inexpressivo e ainda por cima com nome de time grande. Foram intermináveis minutos tentando humilhar os atletas, caçoando de sua condição profissional, em especial dos veteranos, dizendo que eles fracassaram na carreira e terminavam no Corinthians genérico…
Senti vergonha por eles. Não pelos jogadores, mas pelos torcedores recalcados.
Domingo passado, no jogo contra o Cianorte, as coisas mais ou menos se repetiram. Dessa vez, fiquei com certa pena dos piás do time do interior. Mas, pensando melhor, os mais dignos de compaixão eram os que xingavam. Vejamos só: “ Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” Eu sonhei. Tu sonhaste, ele sonhou, nós sonhamos, vós sonhastes e eles sonharam. Não seria exagero dizer que, no Brasil, todos os homens que hoje são fãs de futebol, um dia quiseram ser profissionais da bola. Pois é, aqueles caras vestindo camisas de times pequenos conseguiram.
Seja em Irati, Cianorte, Prudentópolis, Toledo ou Arapongas, esses moleques com nomes estranhos sabem o que é entrar em campo ouvindo um grande aplauso ou uma grande vaia. Eles sentem o calor da disputa...
Eles passam tardes treinando futebol !
Alguns deles, os mais jovens, podem concretamente sonhar com o dia em que serão convocados para a seleção brasileira, ou que serão contratados pelo Barcelona, Bayern ou Real Madri...
Eles conseguiram o que muitos sonham, apesar de todas as suas limitações e dificuldades. Podem estar desempregados daqui a um mês, mas já são vitoriosos.  
Quantos deles deixaram uma vida marcada pelo sub-emprego e pela miséria em nome do sonho?

Quantos não contavam com “pistolão” nenhum e ganharam “na raça” o direito de jogar? Quantos sobreviveram às miseráveis condições das categorias de base desse brasilzão? Quantos foram iludidos por “empresários”? Quantos suportaram longos períodos longe da família, até passando necessidades básicas? Quantas “peneiras” tiveram que enfrentar até conseguir uma chance? Mas eles conseguiram e merecem nosso respeito e consideração.
Que pelo menos o menino apaixonado por futebol, que ainda mora dentro de nós, olhe para eles com admiração.
Parabéns rapaziada. Boa sorte!