5 de mai. de 2014

.A lógica ateísta.


O ateísmo é, por conceito, a negação da existência de qualquer deidade. Não é uma negação dos deuses que a ele são apresentados, é uma repulsa incondicional a qualquer ideia que remeta ao sobrenatural, em especial ao sobrenatural Criador.

Mas o universo  EXISTE, e requer algum tipo de especulação de suas origem. A ciência é invocada para essa missão, afinal o ateísmo se entende como profundamente científico e lógico/racional.

Então o  ateísmo e sua versão pós-moderna, o neo - ateísmo, adota a convicção que condiz com seu pré-conceito inabalável: todo o universo, seres vivos inclusos, é o resultado de incríveis eventos aleatórios, favorecidos por reações estatisticamente excepcionais e impregnados de uma fantástica“sorte” conjuntural.


Segue a fórmula materialista: tais eventos, amalgamados pelo tempo,  transformaram, - literalmente - o nada fundamental no tudo sensível e presumível. O nada virou o tudo. Um efeito sem causa.

Surgida a matéria, por igual acaso, esta adquiriu VIDA e essa vida é conduzida por uma estranha força de adaptabilidade ao ambiente, chamada de força evolutiva (surgida também do nada e por acaso).

Igualmente por acidente, o ser humano distinguiu-se dos demais seres vivos. Por sorte, foi único que chegou ao ponto de ser capaz de raciocinar de modo  lógico/complexo, de abstrair ideias, de planejar, transformar o mundo com sua mão e ansiar saber o porquê de sua existência.
Tudo como resultado de um arranjo do caos, de eventos passageiros e sem motivo outro que não o ciclo "nascer-sobreviver-reproduzir- morrer".

Pela lógica neo-ateísta, essa extraordinária habilidade de raciocínio que a natureza aleatoriamente presenteou o ser humano tem seu ápice quando o indivíduo reconhece que foi justamente o acaso puro e simples que o fez surgir do nada.

Declarar que veio do vazio inanimado de uma matéria bruta e admitir que isso como perfeitamente lógico é, para os ateístas, o extremo da razão a que um ser humano pode chegar, antes de voltar a ser nada.
Tudo muito racional, como se vê.

E a esses sere iluminados pela razão, que alcançaram o esplendor da "verdade"  imutável, absoluta e inquestionável, cabe a missão de "combater a ignorância" dos que entendem que o ser humano também é espiritual.

Para combater a "irracionalidade" de crença em "algo transcendental", é preciso que toda e qualquer hipótese que contrarie o senso ateísta deva ser cruelmente ridicularizada, atribuindo aos seus defensores  a pecha de "irracionais", "ingênuos" e "não evoluídos".

E mais: a cada novidade científica que real ou teoricamente expanda o conhecimento sobre o universo, que se faça disso um argumento a favor da "verdade-do-acaso-criador", por mais incoerente que possa parecer.

Para o "científico" ateu, sempre a "mágica" ateísta é racional, já a "mágica" teísta é irracional.

Essa é a tão propagada "superioridade" lógico/racional neo- ateísta.
Se alguém se dispõe a expor esse infindável abismo de incoerências, invariavelmente ouvirá respostas evasivas  sempre versando sobre as  mazelas das religiões e dos religiosos, com eventuais manipulações de eventos históricos.

O ateu pode crer em quase tudo.
Qualquer teoria, por mais estapafúrdia que seja, é apta a ser considerada.
Mas o "racionalismo" ateísta tem chiliques quando da menor menção à possibilidade de um Criador. Ou seja: para eles, tudo "pode ser", menos "O" Criador.

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Relacionado: o ateu é o que nega qualquer possibilidade de existência  de divindades, abraçando como única alternativa a  nada lógica "geração espontânea" da vida.
O ateu crê cegamente no extraordinário, a tal ponto que explica tudo como uma relação causa/efeito, EXCETO o começo de tudo.
Quem não crê explicitamente em um Deus Criador, mas admite que essa pode ser uma possibilidade, não é tecnicamente um ateu, mas sim  agnóstico.

Quem sente que há uma "força superior" espiritual que dá à humanidade um caráter especial e transcendental, mas não o reconhece nas divindades a ele apresentadas, é anti-religioso.
Em ambos os casos (agnosticismo e anti-religiosidade), há a vontade da busca pela verdade, mesmo que latente.

Já o ateísmo é pura incoerência mesmo. 

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